Doenças Psiquiátricas no ambiente de trabalho

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reporta que em 2020 a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. A depressão é um tema extremamente complexo e torna-se ainda mais quando é discutido no ambiente de trabalho. Diferentemente de outras doenças relacionadas ao trabalho, por exemplo, como as ortopédicas: tendinites, hérnias, fraturas e etc, a depressão não é “visível” por estar “dentro” de cada pessoa, assim, como outras doenças psiquiátricas.

Embora as doenças psiquiátricas não sejam decorrentes exclusivamente do trabalho, existem várias situações em que a culpa é exclusivamente da empresa como, por exemplo: a exposição da pessoa ao ridículo, trabalho com jornadas excessivas acima de 12 horas diárias de forma constante, gritos do superior.

Também são consideráveis fatos capazes de gerar doenças psiquiátricas relacionadas ao trabalho: assalto, roubo e diversas situações que podem ocorrer no ambiente de trabalho que demonstram a gravidade do caso e que a doença foi desencadeada por causa do seu trabalho.

O assédio moral, o excesso de demanda, a cobrança excessiva, as metas inatingíveis, o isolamento dos colegas de trabalho e as cobranças em público também podem ser causas de doença psiquiátrica relacionada ao trabalho. O ambiente de trabalho, sendo um ambiente competitivo é um local até mesmo propício para o surgimento de transtornos psiquiátricos.

Doenças Psiquiátricas: o que a empresa está fazendo de errado?

O mundo do trabalho exige dedicação dos trabalhadores, o que, por si, já é capaz de gerar enorme pressão, pois além do trabalho, muitas outras questões estão envolvidas, como: o próprio sustento, esperanças de promoção, capacidade de atender aos anseios dos superiores e etc. As altas demandas acabam comprometendo a saúde mental de muitos trabalhadores, principalmente em um cenário de milhões de desempregados e a escassez de vagas

Não apenas isso, como também os trabalhadores precisam atender à cobrança social que vêm dos meios de comunicação, os quais obrigam o sucesso profissional e pessoal, de modo que as pessoas tendem a se sentir pressionadas e influenciadas em busca de perfeição nas atividades que exercem.profissionais. A síndrome de burn out é uma das principais doenças psiquiátricas relacionadas ao trabalho.

Trata-se de uma doença caracterizada pelo esgotamento da pessoa diante da sobrecarga de trabalho, o que é extremamente comum em um ambiente de trabalho que exige pessoas cada vez mais “multi-tarefas” e multidisciplinares com alta demanda de serviço.
Além disso, há casos em que o ambiente de trabalho que já é naturalmente competitivo, fazendo com que haja agravamento com a presença de algum superior ou colega de mesmo nível hierárquico que pratique o assédio moral. Práticas de assédio moral, obviamente, também podem causar diversas doenças psiquiátricas e até mesmo agravar algumas pré-existentes.

Exemplos delas são síndrome de burnout, ataque de pânico, ansiedade, depressão profunda, e em casos mais graves até esquizofrenia e o suicídio.
As empresas possuem grande interesse em reduzir esse tipo de prática em seus ambientes de trabalho, pois além do trabalhador doente possuir menor produtividade, a responsabilização por tais fatos pode ser bastante custosa no âmbito judicial.

Isso porque, o trabalhador que está sofrendo com doenças psiquiátricas, e incapacitado ao labor de forma total, poderá socorrer-se ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a fim de almejar o benefício de auxílio-doença até que melhore seu quadro e possa retornar ao trabalho.
Se a doença estiver relacionada ao trabalho e isso for constatado, o trabalhador poderá pedir contra a empresa indenizações por danos morais e materiais, além de ter direito à estabilidade no emprego por 12 meses.

É exatamente por isso muitas empresas organizadas criam departamentos e canais para denúncias de práticas como essas, pois em sua grande maioria os assédios são cometidos de forma silenciosa.

Todas essas situações, por se tratarem de questão médica deverão sempre estar acompanhadas de considerações médicas atestando tais doenças e a eventual incapacidade para o trabalho.

A campanha Setembro Amarelo® salva vidas!

Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo®. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano.

São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 01 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias.

Com o objetivo de prevenir e reduzir estes números a campanha Setembro Amarelo® cresceu e hoje conquistamos o Brasil inteiro.

Participe conosco, divulgue a campanha entre os seus amigos e nos ajude a salvar vidas! Acesse: https://www.setembroamarelo.com/